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Ignoto Ego

10.6.13

A paixão do arminho

Lembrou-se o MC de colonizar este entreposto, que há já uns bons tempos pouco mais parece servir do que alojamento para suas rapadas performances, que devem mais ao real do que ao eixo trinitário que norteia (qual!, que SUL_qu'EIA!) este blog desde a sua incepção. Deambulação-Alucinação-Comunicação, creio que assim, nesta ordem e tudo, não serão propriamente os atributos do dito cerimonial, ou o seu fio condutor. Não admira que tanto (mais) tenha ficado por dizer por entre os entretantos das goteiras de chuva e demais elementais sinestesias.

*

Ora entre as muitas cenas a fazer, parte não despicienda tem que ver com colher impressões de uns tantos livros lidos há mais ou menos dias. Bater umas tantas citações já referenciadas. Ao fazê-lo, poderei enfim tirar os tomos da secretária e devolvê-los à estante. Alguns destes, por certo aqueles que mais justificam a recolecção a fazer, têm que ver com trabalho. Nada ao acaso, porém, terão que esperar pelos romances, cuja colheita, teoricamente, demorará menos a fazer.

*

Engano-me à grande com este jeito descritivo, mas não a ti, meu velho leitor. Tu sabes melhor que eu do que se trata afinal nestas delongas. Tu sabes, melhor do que eu, que há invólucros que se não devem tocar tampouco. Mais sabes ainda, esticando a pele da metáfora, que até a tambores se pode aplicar tal directiva - e não sob a ameaça do ruído. Ninguém é o xamã de si próprio.

*

Entre meros três apontamentos decorrentes de leitura que conta já quase um ano, quis o destino recapitular a meus olhos a paixão do arminho. Relendo o par de páginas que a introduz, que a evoca, algo se rela também, não sei, não sei:


- Mas pense nele, em seu cunhado, na sua situação ...
- Pense?
- Sim! não tem pena dele?
- Sim, tenho. E por isso o ajudo e o amparo. É como outro meu filho.
- Ajuda-o..., ampara-o...
- Sim, amparo-o e ajudo-o a ser pai...
- A ser pai..., a ser pai... Mas ele é um homem...
- E eu uma mulher!
- É fraco...
- E eu sou forte?
- Mais do que deve.
- Mais do que devo? Ser uma mulher forte?
- É que essa fortaleza, minha filha, pode por vezes ser dureza, ser crueldade. E é dura para com ele, muito dura. Não o ama para marido? E que importa? Isso não faz falta para casar-se com um homem. Muitas vezes uma mulher tem de casar-se com um homem por compaixão, para não o deixar só, para salvá-lo, para salvar a sua alma...
- Mas eu não o deixo só,,,
- Sim, sim, deixa-o só. E creio que me compreende sem lhe explicar mais claro.
- Sim, sim, compreendo-o, mas eu não quero compreendê-lo. Ele não está só. Quem está só sou eu! Só..., só..., sempre só...
- Mas já sabe isso de que «mais vale casar que abrasar...»
- Mas não me abraso...
- Não se queixa da sua solidão?
- Não é solidão de abrasar, não é essa a solidão que alude, padre. Não, não é essa. Não me abraso.
- E ele abrasa-se?
- Que se refresque no cuidado e amor de seus filhos.
- Bom; mas sabe o que quero dizer.
- Demasiado.
- E se não, digo-lhe ainda mais claro que seu cunhado corre perigo, e que se cai nele, a culpa é sua.
- Minha?
- Está claro!
- Não vejo tão claro. Como não sou homem...
- Disse-me que um dos receios de casar-se com seu cunhado era o de ter filhos dele, não é assim?
- Sim, assim é. Se tivéssemos filhos, chegaria a ser, quisesse ou não, madrasta dos que a minha irmã me deixou.
- Mas o matrimónio não se instituiu só para fazer filhos.
- Para casar e agradecer a Deus e criar filhos para o céu.
- Agradecer a Deus... Percebe?
- Apenas...
- Viver em graça, livres de pecado.
- Agora ainda menos percebo.
- Bom, pois que é um remédio contra a sensualidade.
- Como? Que é isso? Quê?
- Mas, porque fica assim?... Porque se altera?...
- Que é o remédio contra a sensualidade? O casal ou a mulher?
- Os dois... A mulher... e... o homem.
- Pois, não, padre, não, não e não. Eu não posso ser remédio contra nada! Que ideia é essa de considerar-me remédio? E remédio... contra isso! Não, creio que valho mais...
- E se antes de ter perguntado a sua irmã lhe tivesse perguntado...
- A mim? Antes? Quando nos conheceu? Não falemos mais, padre, que não nos podemos entender, pois vejo que falamos línguas diferentes. Nem sei a do senhor, nem o senhor sabe a minha.
           E dito isto, levantou-se do confessionário. Custava-lhe andar; tão doridos tinham ficado os joelhos do ajoelhar. E ao mesmo tempo doíam-lhe as articulações da alma, e sentia a solidão mais intensamente que nunca. «Não, não me percebe – dizia para si -, não me percebe; homem, enfim! Mas, percebo-me eu mesma? Percebo? Amo-o ou não o amo? Não é isto soberba? Não será a triste paixão solitária do arminho, que para se não sujar não se deita a nado a um lodaçal para salvar o seu companheiro?... Não sei..., não sei...» 

(:68-9)


 
Miguel de Unamuno. A Tia Tula. Verbo [Livros RTP, nº 11]

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8.11.10

A comunicação é l'infRa-

legível
Não_é_dicção é entoação que sobrevive sem pontuação como se sente-senciente-acentuação


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6.4.10

un poco stanco

Sou agora um homem diferente. Parece-me que vejo o Universo, com o único olho que me resta, sob um ângulo diverso. Já não vejo o que é feio e sórdido, mas só o que é belo, doce e puro. Até os homens e as mulheres que me rodeiam não me parecem os mesmos que eram dantes. Por uma curiosa ilusão de óptica, não os vejo tais como são, mas como deveriam ser, tais como teriam querido ser, se houvessem podido. Ainda posso ver, com o meu olho cego, boa quantidade de imbecis pavonearem-se à minha roda; mas já não me irritam os nervos como outrora; o seu palavrório deixa-me indiferente; deixá-los falar. Por agora não posso ir mais longe; temo que, para chegar a amar os meus semelhantes, me seja necessário perder o outro olho também. Não posso perdoar-lhes a sua crueldade com os animais. Penso que se opera no meu cérebro uma espécie de evolução retrospectiva que me afasta cada vez mais dos outros homens e me acerca cada vez mais da Madre Natureza e dos animais.



Axel Munthe, O Livro de San Michele, 3ª edição, Livros do Brasil, p.312

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24.12.09

When web classes by the holidays are that good (let's look at some glossary with a chancy touch, kids)

datarina

(origem obscura)

s. f.

Trás-os-M.

Conjunto de pancadas dadas a alguém como castigo ou maus-tratos. = coça, sova



Palavra do dia (24-12-09 circa 1AM30 no hemisfério nortada na latitude errada do planisfério na passada:) encontrada via o que daria dá (deu, já?) via priberam.pt/dlpo:










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5.10.09

como gado cativo - lo-fi voice to the hi-fi heart



Still, big AbraÇalam to Sagopa et al, due credit to the shake I'd rhymed on;

'bout the lyrics, hope there's no need to put them on (am I not stripped que chegue?!)... Anyhow, trying to catch them should make a good enough audio fitness exercise, i.e., deixe de ser duro de ouvido, cara***!


P.S. - well, let's see, if many families decide to beg for (use the comment-box for some high-quality feedback!, LOL), hereby I announce that I'll post them, OKi?!

UPDATE: Though Vos dê igual, for\from/ the record, (T)here's the lyrical device

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19.2.09



Enredando enleios
Alhei@s torrentes sempre
Trazem o que translado ao-final:

Porque e para a precisão, apressa
a presa possível pondo
os pontos na prosa em
permanente presente -
e parte pleno, se partires, preto,
que o panteão pertence-te

Antes de te arrepiares
Não penses tãmpouco ou
Se estás brincando cómigo
Paga a hipoteca dos teus olhos

Quando os pólos se acharem d'outro jeito
D'outras gestas divertidas
Festas outras sararão todas as
Feridas próprias - para já + reapropriar


[CAMirtuli, 20-12-08]

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7.2.09

Ex-clamantes de todo o mundo, envidem-se!

Além greve
Aquém zelo
Quem escreve
Ninguém pelo
Qual partido
Jaz agora
Sem sentido*
Estando fora
Na passada
Ar-riscada
Guita
Enforcada
Fita.



*

Serve-nos sem sentido

Se sentido não achas (perdes-te, perdeste) ao serviço entrando, talvez espaço haja ainda para lugares serem ao-final;



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14.12.08

Respigando, Oita


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1.10.08

Djing Dlã


Discover Natacha Atlas!

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17.8.08









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7.8.08

not linking tag of Ψ five

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27.5.08

So not to say Ya didn't see it coming (so come with ing it)




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26.5.08

Habemos Pres(id)ent








captionings:
Naharnet

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21.5.08

The Reachings

Dealt Ya Zeit
Branche AcknowledgemANTics
To bear as a whirling kalb
The mood Ya dealt, to start l-

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20.5.08

Care to ex-pain (curar) device
recollection of an one-shotmailed

Said so under a self tag
Now to see in a badm field
A blackjack dressing still

Oh that ifs of this lang uajares
Yet so many sayings though no need to measures made i n uances

And to that imagination
What comes and how, acquisition or donation

Leaves of quest

Let go (sai no teste?) their best



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6.5.08

É terça-feira
e das cinzas talvez
amanhã que é quarta-feira
haja fogo outra vez
o coração
é incapaz
de dizer
"tanto faz"
parte p´ra guerra
com os olhos na paz


S.G. - Kilas, o Mau da Fita [1980], faixa 5

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23.4.08

On every wed

There's gotta be a record of you someplace
You gotta be on somebody's books
The lowdown - a picture of your face
Your injured looks

Somewhere your fingerprints remain concrete

>


And the fireworks over liberty explode in the heat



(And every victory has a taste that's bittersweet)





Dire Straits - On Every Street [1991] verses + Grace captioning (ed.) some pétalas..

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27.1.08

São muitos séculos em morna ebulição, a transitar entre o granizo e a combustão


Sérgio Godinho - Só neste país

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12.12.07

Qissah

História. Quiçá.
.transliter ar wa trad uzindo traveleis

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9.11.07

Myriad Now'a-days (Still Wikipedia Can Stalk Your Self)

Merriam-Webster notes, "Recent criticism of the use of myriad as a noun, both in the plural form myriads and in the phrase a myriad of, seems to reflect a mistaken belief that the word was originally and is still properly only an adjective.... however, the noun is in fact the older form, dating to the 16th century. (...)"

(...)To the Sand Reckonings - and beyond

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