14.3.05

Um mês depois...

Um mês volvido face à morte do antigo primeiro-ministro libanês, Rafik Hariri, o tempo tem a eficaz chancela simbólica e colectiva do aniversário.
A landmark, precisamente.

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Afiguram-se-me possíveis diversas realizações. Ainda que sempre seja assim, agora e no Líbano decisivos são os momentos, mais do que nunca parcas as palavras que procuram dotar de sentido o maior dos paradoxos, esta distância de fisicalidades entreposta, tão perto, tão perto.
Há vezes em que uma declaração de intenções, meramento sendo, vale a pena, por assim dizer. Não é o caso. Relevá-lo é já incorrer num exercício de subterfúgios, ainda que a menção me ajude a situar-me.
Mais do que a tal declaração (mais do que as semânticas entretecidas nas palavras escritas), há um horizonte que almeja ser. Implicando o pudor de o não ser ainda, um embrião ou uma semente, um pólipo ou um ente em hibernação, tratamos do que poderá ir e ser para vir a ser.
Mais do que todos os fascínios relativistas juntos, uma realidade, you know?
É quando, um mês depois, as imagens não contêm senão a representação de quem as capta. Transpiram realidade. Lá.
Aqui, infestados de perfumes e desodorizantes (desodorizar, sim senhor, que o cheiro incomoda e deve ser banido?!), não é fácil, feromonas são bolinhas em esquemas coloridos a exibir em retroprojectores.
Projectemo-nos antes, pois!, para a frente:
Um mês de-pois! (lá como aqui), smells like teen spirit.

7.3.05

Cânone do Extemporâneo (ou o Regresso do À Pala)

Acabo por constatar mas não acabo por constatar, o que quer que seja - o que quer, seja. É revoltante ser revoltante um tipo à partida, por definição encartado: a la classe! Tudo isto (aquela mão cheia de coisa nenhuma) no clássico haver para dizer... De quaisquer (quais queres?) modos, entre o deve e o haver, escrito, só mesmo um mandar foder, bonito.

Primatologia - Aula 1

Quantos ossos cranianos possuis?

Sabê-lo é certo de tédio.

Quantas simetrias alinhadas frontalmente?

Sabê-lo para nada serve realmente.

24.2.05

No País dos Cedros



Terça, 22 de Fevereiro de 2005

"People power: Downtown Beirut seethed with grief and anger as Syria was blamed for Hariri’s murder"


22.2.05

Letra S (a-onde se chegou)

Não há uma escassez de comunicação num dizer ou num pensar nunca ser demais comunicar por precisamente poder sê-lo ou não ou não
Até fartar ou não ou não
Ter que frisar "em minha opinião"
Tudo e nada, vejam bem que o que se opõe sendo afim é como um boi olhando assim ou de outro modo para um palácio figurado que não incomodo nem por um bocado nas palavras que o tocam afirmando negações, uma vírgula para dar algo melhor que emoções como conceitos, recortes ou meros trejeitos bloqueados de tão escorreitos serem a palidez de um rubor, alor de um alor que um alor se vê caído, não sem perigo mas contigo sim, tu. Se vestido fosse e rei houvesse, nu estaria como rifa de quermesse, o prémio sendo só porque apetece, que bem que joga o Grémio (kiss their ésse*).
*P.S. - como S colectivo, o que quer que seja serpenteante e destemido

15.2.05

Susana


Algures numa pesquisa de imagens via google sedimentada em torno do nome "Susana", este alucinado desenho que, por ora, patrocina meu regresso ao ignoto comunicado activo.
A todas as Susanas, enfim, meu entreposto tributo de sentido.

31.1.05

23h00, noticia o Diário Digital motivando meu interligado comentário:

Alinhamento de despudoradas inevitabilidades, realidade tal que o ofício de profeta se torna dificilmente praticável...

FC Porto demite Victor Fernández (e Jê Couceiro é pela Antena 1 dado como certo no Dragão. Jês ao poder, pois, entre os grandes nativos. Agora, falta apenas um Jê no lugar do abuelo Trap. Talvez um dia o glorioso regresso de Jê Messias Mourinho..);
Sporting empata e falha liderança (Jê Peseiro de pedra e cal no adiamento do inevitável, gostaria de dizer. Porém, cheira bem mais ao inevitável adiamento. Mente doente a que investe, em Alvalade XXI, um Garcia e um Barbosa de titularidade. Assim segue o puto do equipamento cor de alface a senda da oscilação.) ;
Tribunais de Guantánamo são inconstitucionais (qualquer senso minimamente bom lá chega. Ter chegado o de uma juíza federal norte-americana é significativo, sim, porque seu país se rege internacionalmente à lei da bala. Esta, como se sabe, é generalizadamente inconstitucional, dado que, abertamente, ninguém quer assumir fazer andar um planeta a toque de caixa por sistema. Seguindo-se a uma chicotada psicológica e a um falhanço desportivo no alinhamento noticioso em análise, a podridão é, já, insustentável: insustentável a definição-limite constitucional que fede nestes colectivos de humanos e não-humanos);
Bruxelas desconfia de défices portugueses (mas como não? Demitamos a 'classe político futeboleira', questionemos a Constituição Moderna e façamos da alucinação a matriz existencial do devir que nos assiste);
PIB regista quebra de 1,1% em volume em 2003 (Ambiente, Cultura, Investigação & Desenvolvimento; especialização [para o conceito de PIB serve bem esta noção] portuguesa neste triângulo transformaria esta notícia num registo de aumento de 11%.. Não, não é o milagre económico português. Seria Portugal.).

30.1.05

Missiva à 2: - parte 2

Voilá!

Eis que ontem, V.Exas decidem, em lugar do que vinha sendo muito bom hábito (conforme Vos dei sentida conta aquando do péssimo indicador que foi o interregno natalício), desligar a re-transmissão dos 'Six Feet Under' da meia-noite e meia de Sábado para Domingo.

Porquê e para quê? Alguém pediu urgentemente ‘Os Limites do Terror’ a seguir à Britcom e o concerto dos ‘Ala dos Namorados’ em lugar dos ‘Sete Palmos de Terra’?

Que puta de arbitrariedade é esta que, constato-o agora, relega a série em questão para as 22h30 das Segundas-Feiras?

A irrelevância de Vossos shares e audiências (com mastigadas horas discovery na liderança) acaso faz-vos pensar que tudo é permitido para tapar este ou aquele buraco programático?

Quem dera que tivessem meios para dotar Vossa programação de efectiva diversidade e qualidade. Porém, mesmo os não tendo, um senso de missão, uma responsabilidade na gestão de hábitos renderiam a justa vénia do telespectador. Tal não acontecendo, fica a revolta e o nojo de quem, como eu, anonimamente espera um mínimo de decência institucional.

Da ausência de resposta a minha missiva enviada há mais de um mês, depreendo o maior desinteresse da Vossa parte para com quem - espectador - tem necessidade de questionar as mudanças entrepostas no que considera enquanto culto estabelecido em torno da televisão (o único de momento, à imagem do que, em tempos, aconteceu com 'Once and Again'). Depreende-se a ausência de respeito pelo telespectador, pela possibilidade (bem real, no meu caso) de o implicar no sentido ritual da interacção potenciada de imagens e significações..

"Fale Connosco - Dúvidas, Sugestões, Opiniões - Tudo o que esperamos de Si!", dizem-me através de uma muito bem estruturada página web, assim criando o homem médio, o homem comum qual uniforme receptáculo de Vossa arbitrariedade.

Trata-se aqui de um tipo de pragmatismo do mais podre que existe, assente na retórica questão "O que interessa que não haja comunicação de facto conquanto que o show-off tudo ofusque?".

Enfim, dignem-se a responder, a dizer de Vossa justiça.

Esperarei, pois, o contacto ou retornarei à comunicação.


Sem mais,


Alor

Fursaxa

29.1.05

Virtual walk




Vladimir Hudobko
[1999]

Nicanor Parra

"...Sólo sé que pasó por este mundo como una paloma fugitiva: la olvidé sin quererlo, lentamente..."


"Queen Melon"

Vladimir Hudobko

ROMPECABEZAS


No doy a nadie el derecho.
Adoro un trozo de trapo.
Traslado tumbas de lugar.

Traslado tumbas de lugar.
No doy a nadie el derecho.
Yo soy un tipo ridículo
A los rayos del sol,
Azote de las fuentes de soda
Yo me muero de rabia.
Yo no tengo remedio,
Mis propios pelos me acusan
En un altar de ocasión
Las máquinas no perdonan.


Me río detrás de una silla,
mi cara se llena de moscas.

Yo soy quien se expresa mal
Expresa en vistas de qué.

Yo tartamudeo,
Con el pie toco una especie de feto.

¿Para qué son estos estómagos?
¿Quién hizo esta mescolanza?
Lo mejor es hacer el indio.
Yo digo una cosa por otra.

Nicanor Parra in «Poemas y antipoemas» (1954)