4.10.04

Fotografar: desencarnação primeiro, primeira intenção depois

Tão telúrica como exógena, à desencarnação no telhado, a poente, naturalmente chamo Exotelus.

Antes das nuvens flamejantes de um Sol dizendo até já, Nele tomei do tempo de interiorizar reflectindo, a importância de contra-correr ensinada pelo devir-ele-próprio.

Enfim, a intenção primeira visava o fio no Horizonte. Irupção exotélica processada, tudo acaba por fluir concorrentemente, claro, claro. A relevância de fotografar ensinada pelo devir-ele-próprio; se quiseres, as texturas imagéticas falam por si e eu adorno-as simplesmente com vidrinhos nova-idade :-)

3.10.04

Afirmação e um par de conselhos para a constatação de uns quantos velhos (Alor cumprimenta Pedro Absinto e Miguel Deutero)



Ruptura, assim como esta palavra feia, dura
Alguns tomam a vida, escura.

O fino e o fraco de forma, recorda, pode ser o forte e resplandecente de substância;
Acorda! Verifica a impedância em ti, se a corrente é morna não adormeças a distância..

Sem delongas produz-se o manifesto, sinónimo lesto de oferenda
Nos trajes e vestes as penas e lendas são lidas, nunca te arrependas, não leias sofridas.

A leis, regras, normas e protocolos
A reis, segas, formas e arraiolos:
Haveis, megas, or as and tijolos
Feito da minha casa um ninho de tolos.

26.9.04

Question Mark

Um canto superiormente esquerdo, afecto a um mundo que tarda em ser santo-de-Paz (celeste), no tipo de miragem re-contextualizadora de insignificâncias próprias. É um recortezinho encabeçado por essa lateralizada (hoi polloi) questão deveras pertinente, o diminuto tamanho da imagem (real) sendo sempre inversamente proporcional à grandeza da cidade (sonhada).

Essencialmente, creio (eis o que creio), há um problema de expressão.

E por isso se escreve; por isso escrevo:

Que possas um dia sorrir, Jerusalém.

13.9.04

Pragmatismo de bola

Visionada a primeira metade do desafio e ouvidos um par de minutos do último quarto da segunda, a conclusão a tirar do Vitória de Setúbal 2 - Sporting 0 é objectiva, clara e cristalina. A prévia declaração de intenções de Jê Couceiro foi uma constante material e efectiva da partida; à distância destas linhas posto o que passou pelas quatro essenciais do Bonfim, os termos do treinador sadino a que aludi em "Tautologia" parecem-me tão mais acertados..Afinal, à inversa imagem da lei percebida pelo sátrapa Pimenta Machado no futebol português, ontem era mentira, hoje é verdade (embora de bestas a bestiais - para, já agora, esmiuçar mais uma expressão do pédebola nacional - a diferença seja quase nula).

Enfim, duas bolas a zero para os da casa. Houve golos e houve justiça, não há bodes expiatórios, apenas leituras críticas das opções tácticas e afins de Jê Peseiro e aplausos para Jê Couceiro. A esperança no jogo reside mesmo é neste tipo de contundências - tipos golos, justiça e personas sub-40 sagazes ao leme, bem entendido.

Quanto ao Sporting, depois da alegria de grande parte do primeiro duelo em Alvalade ante o Gil, parece haver ocorrido uma mutação gigantesca, abissal. Nada mais recorrente, simples até: chama-se inconstância. É sempre bom lembrar o quanta sopa de grão e broa têm que comer os indivíduos-jogadores-e-seus gurus até se constituirem como equipa digna do nome colectivo. Para Miguel Garcia e Hugo, a observação-participante no campo terá que se transferir para a bancada, não?


São lições a verde e branco, senhor, ministradas pelas proletárias listas verticais às burguesas horizontais - «achega verborróide your bourgeious ass!», diz-me muito acertadamente o (pós-tautológico) pragmático Couceiro. Para mais tarde recordar, tarã!

11.9.04

Recorte de bola

No país de poetas e filósofos de algibeiras
Proxenetas e opiófilos deitados em esteiras
Vêem a bola na sagrada comunhão de «só o árbitro não viu 'aquela mão'!».

Tautologia de bola

Noticia o Diário Digital:

José Couceiro e o jogo com o Sporting: «Vai ter golos»

Isto porque, depreende-se, jogar para zeros-zeros frente às equipas aglutinadoras de massas e ma$$a$ é coisa do passado,

«a fase das equipas pequenas que jogam fechadas frente aos grandes já passou».

Em suma, prossegue esta curiosa personagem da bola-no-pé nativa cujos créditos enquanto novo treinador (na senda do que a afirmação-bula de Jê Mourinho-em-si-próprio é feita ditar acerca das possibilidades de regeneração da modalidade tendo por base treinadores com menos de 40 anos apostados em surpreender vencendo e imperializando suas personas) se matizarão firmados ou se defraudarão, humilhados, posta esta época ao comando do Vitória de Setúbal (o benefício da dúvida, pois, que se segue ao Alverca):


«Em qualquer jogo um bom resultado é ganhar e portanto o Vitória quer ganhar. Mas, antes do jogo, posso dizer que um bom resultado é ganhar. Todavia, depois, posso achar que o empate foi um bom resultado. Tudo depende do jogo!»


À inconsequência da maior parte dos discursos das figuras que protagonizam a "Superliga Galp Energia" (ainda não consegui deixar de rir a pronunciar esta peculiar e pimba engenharia nominal tomada como designação do principal campeonato - se ao menos fosse a "Superliga Raivas Carlitos"...), acrescenta Couceiro mais uma achega verborróide...

Se no capítulo formal da perspectiva transpirada para imprensas e adeptos o riso continua a ser o melhor remédio, a ver vamos em campo. A seguir, portanto, atentamente, Domingo, Vitória de Setúbal - Sporting, mais a mais porque no banco leonino se senta esse outro sub-50 vindo das galáxias de Madrid para cultivar o espectáculo verde-e-branco horizontalmente listado, Jê Peseiro.

À tautologia da bola retornarei então, quem sabe que ilações caberão na 'relvadinha' que o Bonfim irá receber? Há uns anos, quando não havia galácticos mas havia os deliciosos galaks e começava a temporada e o meu preferido Krassimir Balakov resolvia uma interessante partida em Setúbal, o presidente do clube local, falando para Sousa Cintra, testa-de-ferro de então em Alvalade, disse algo como "Dê-nos o Balakov e o Setúbal será campeão"...Pérolas senhor, efectivas pérolas! Não é disto que o nosso povo gosta, camarada Perestrelo?!






10.9.04

Forma, sensação extranhada na quadra enviada


Deve ser porque não estou habituado, tal forma é-me estranha como ver-me sepultado
A sensação é de «esclarecido por oposição a turvado»
E fala-nos do futuro do passado visto vertebrado sem saber ler nem escrever
Tipo de coisa extranhada para ser e acontecer;

Na quadra o quadrado e neste o gume afiado do dedilhar alucinado
A bissectriz talhada - a talhe de foice - na primazia enviada
Pelo telúrico representante (via, a via é, i.e. :)
«Se te disser vulgar tu lerás diamante».


* Shape: "We Shape Our Selves. Wanting to Belong. We are Already One.", 2003, Deborah S. Whitman
** Feeling:"Feeling Life", Janette K. Hopper
*** Exo (born): "uurrraauaahhhgg", Exo, http://tabulas.com/~exo

24.8.04

A Promessa

Muita água correu debaixo de pontes e pontões, muito se passou já debaixo deste Sol desde que a Ouroboros Party Um tomou lugar. Notas dispersas, aqui e acolá pontuadas por fotografias, aguardam comunicação nesta morada, postas as impossibilidades associadas à tradução face à reflexividade da vida.

Assim, tão só a promessa de não deixar partir este fio, de voltar para Vos trazer algo de meus papéis e recortes. Talvez precise ainda de um pouco mais de ar, de maresia, de suor libertado, de emancipação de dia. De qualquer modo, eleita a paciência como a adjectivação do instante: Até Já..


21.7.04

Diagnose

 
 
"Morra marta, morra farta"
Quem sou não se atreve a questioná-lo.
O saber de experiência feito, essa agora,
Está imune ao defeito que em má hora - agora - aflora.
 
Acelera-se o batimento quando à vista se depara um pavimento, ruína ignara em testamento legada.
Reduz-se o pensamento quando ao Marquês se depara um movimento, elaboração audaciosa de quem nada em sofrimento.
 
História, por amor do Homem, a memória é curta mas possui perna longa
Conquanto uma esteticamente perfeita rasteira se pretenda aplicar
Na serra ou perto do mar; qualquer que seja a terra, vale a pena penar. 
 

20.7.04

Ouço Indie e Vejo Luz no Vértice da Rima

 
  
Passaram mais de 30 minutos e a batuta foi entregue ao Maestro Echoplex, abençoada indie melodia que aplaca a angústia de buscar imagens sem saber seu nome.

 

Enfim, a cor possível surge-me neste 'Circle of Light' fotografado por Keith Suddaby.   Do que se trata, é de um nome que parece uma doença, agora que a música se extinguiu e outros sons se constituem em meu fundo. A  catarse ocular, portanto,  o entreposto de situação comunicado. 
 
 

Mas porque me é particularmente penosa a ideia de abandonar esta ameia
Sem uma derivação sequer
Ouso entre vós marido e mulher agitar a colher do café
Tal qual os primos clamando que a Zé cheirava imenso a rapé.
Só isto, que diabo, exige uma renda.
Pague-a o Luís da fazenda com filosofias baratas
Para serem muitas as actas:
Que bom que é pesquisar no arquivo -
Um momentinho ou o que é que eu digo -
Nem por sombras, senhor, olhar para o umbigo eu?
"No vértice da rima a sublevação espícula
Derrete a canícula
E o que faz, não olhes, atrás de ti está o réu
Pronto a comer o chapéu
Por tantas e tantas chuvas acidulado...
Foi tempo a mais pisando um chão acimentado".

19.7.04

Introdução à Psicoactividade Substancial enquanto Entoar Não-a:normal

 
 
I
 
O som de uma impressora, diligente, irradiado sobre um espaço pontuado
(de outros pontos ou paragens), novas de choro derramado.
Leio, leio-as decorrentemente enquanto me curvo em vénias mil sob um passado
De símbolos e interpretações bem mais que feito. Ado. Ado simplesmente
Para teu deleite, incoerente pedra e como tal não-lapidável
Incrustação. Não, natural não, não não não não.
Deixe-se de lado a oposição que nos consome
Pelo som que nos tome e nos tomando soletre
«Something like a kind of "can't expect"»  
OM vezes OM até OM serMOs.
 
 
II
 
Num contexto ritual de alfaite descuidado
As caixas de uma só cor cumprem uma eficácia processual.

São maravilhosas peças do Nepal
Que aqui temos, atenção
Não vás julgar o ente p'lausência de mão.
 
 
 

8.7.04

Signo



(...) (...) (...)(...)(...)(...)(...)(...)(...)(...)(...)(...)(...)(...)(...)(...)(...)(...)

No dia em que pela primeira vez percebo uma Figueira na Foz, inspiro imensidão.


:01-07-04: